pulsa a essência da poesia
na pálpebra que aprisiona
a lágrima que não rolou
na palavra presa ao pensamento
que não se pronunciou
na partícula de orvalho
da gota que ainda não se formou
no balanço da folha com a brisa
que ainda não passou
na paixão que galopa o tempo
e ainda não perfurou o coração
na tênue luz refletida
no azulejo do banheiro
na calmaria da pressa
que não se apressa
no beijo contido no desejo
que não explodiu
no suor brotado do prazer
que ainda não escorreu
na bruma que esconde
o horizonte dos meus sonhos
no sopro do adeus à vida
com a certeza de que foi
bem usufruída
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